Eu comigo
- jessica rocha
- 31 de out. de 2025
- 2 min de leitura
sábado
chuva
casa
silêncio
livro
café
sento pra escrever
me sinto abençoada sempre que tenho esses momentos de solidão. Sinto que sim, to aqui, exatamente onde que queria. cheguei. e me sinto grata por finalmente ter conseguido. Sinto orgulho de mim - faço as pazes com todas as minhas versões. E eu choro. Eu choro tanto que me questiono sobre minha sanidade, mas não tem como algo ser mais sadio do que esses momentos, nada me faz sentir tão plena, é quando estou por inteiro. é como se deixasse meu corpo e habitasse todo espaço dessa casa, como se me colocasse do avesso e agora todo lugar aqui, é dentro. mergulhada em mim, me reconhecendo, tem sempre coisa nova, isso é incrível. Eu choro de deleite, choro por pensar essas coisas, por ser tão gostoso me habitar, e então percebo o trabalho que dá pra manter isso aqui assim. Percebo o esforço que eu fiz pra estar assim agora, e então eu choro mais, de satisfação, de orgulho, porque eu sei que as muitas vezes eu nem sabia o que estava fazendo, mas eu fiz mesmo assim, e eu construí cada pedaço dessa casa psíquica que hoje eu habito com tanta satisfação e eu choro porque eu sei o valor disso.
Tenho dó de quem não pode nunca ficar tempo suficiente sozinho.
Sei que para muitas pessoas é um alívio não ficar consigo mesma.
Mas se ficasse consigo mesma por tempo suficiente, acabaria melhorando essa relação
e isso mudaria tudo
Algumas vezes é difícil ser uma boa companhia pra si
Esses dias vão exigir esforço
mas não consigo pensar em outra coisa que valha mais o esforço que isso.
Gostar de si mesma, descobrir-se por inteira, olhar onde não se quer ver, e apesar das sombras, descobrir-se ainda maior, porque aquilo também é você, e então aceitar-se no que deseja aceitar-se e mudar o que deseja que mude, e ser generosa consigo mesma ao escolher um ou outro - é um trabalho ativo, mas no final, é a única coisa que precisa realmente do seu trabalho, todo o resto é reflexo.




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